Anexo (1 min)





Cresci
e tudo apequenou-se.
Os cabelos curtos me pesam
e os corto com frequência
pelo gosto em perder matéria;

as pernas divergem
uma da outra, trembling flesh
over dizzy bones
,
tenho sonhos de chumbo,
(nem todos, ou sequer, os sonhos
do mundo),
um sorriso estandarte que crê
dia sim dia não
com afinco em nossa mentira,
uma boca disforme
que na hora H não pronuncia
o H surdo-mudo de “humanidade”,
e por último, uns olhos que evitam
a si mesmos; ao rosto, retalho
de minha juventude no espelho.

Funciona o resto do corpo
como as mãos, que lembram:
“porque no mundo tudo é à toa
nada o é na poesia”,
e compõem o poema preguiçosamente
numa recusa nobre
de compor a vida.













Nota da imagem: Pintura de  Lasar Segall.

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